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Futebol mineiro dominou o Brasil em 2014. Dá bilhão?

Cruzeiro e Atlético-MH decidiram a Copa do Brasil de 2014, mas Mineirão não encheu (Gualter Naves / Vipcomm)

Cruzeiro e Atlético-MG decidiram a Copa do Brasil de 2014, mas Mineirão não encheu (Gualter Naves / Vipcomm)

O futebol mineiro está em alta neste ano e os títulos falam por si. O Cruzeiro foi bicampeão brasileiro, o Atlético-MG faturou a Copa do Brasil. Até o pequeno Tombense faturou um título, a Série D. Dos cinco títulos nacionais (A,B,C,D e Copa do Brasil), três são mineiros. Mas isso é sustentável? Dá bilhão?

Primeiro lugar é importante entender o atual momento destes três clubes. O Galo, que veio de uma Libertadores em 2013, vive financeiramente na berlinda. Caso recente foi a penhora do dinheiro da venda do meia Bernard para o Shakhtar. Segundo infográfico de Marcos Britto do Estadão, a dívida alvinegra é de R$ 438,4 milhões. A médio prazo, pode significar uma precarização do clube, principalmente se essas dívidas forem pagas um dia (enquanto não forem criados padrões financeiros para punir e disciplinar a insolvência dos clubes, os credores demorarão para ver a cor do dinheiro). Se os títulos não inverterem a curva de endividamento do clube, a apaixonada torcida poderá sofrer no futuro, ainda mais com uma estrutura cara. O time atual é uma interessante mescla de experientes e jovens emergentes, alguns saídos da boa base da Cidade do Galo, fruto da boa visão da diretoria de futebol do clube.

O Cruzeiro também tem uma dívida considerável, de quase R$ 200 milhões. O mérito da diretoria consiste num bom relacionamento com empresários e na manutenção de uma base e de um elenco numeroso e qualificado, extremamente útil no Brasileirão. Vários reservas do Cruzeiro seriam titulares na maioria dos outros times da Série A. Alguns garotos estão sendo enxertados na equipe aos poucos, o que pode significar uma queda dos custos da equipe mais para a frente. Os custos anuais da Raposa são parecidos com o do arquirrival e leva como vantagem maior arrecadação de bilheteria. Mesmo assim, o risco é o mesmo.

O Tombense é um caso particular. É um clube antigo, mas arrendado pelo empresário Eduardo Uram para registro de jogadores. As receitas da parceria começaram a financiar o profissionalismo no clube, que teve subida meteórica, sendo de uma cidade de pouco menos de 10 mil habitantes. O tamanho da cidade é um limitador para o sucesso do clube e não sabe-se até onde continuará recebendo investimentos. É um caso para se acompanhar de clube de empresário.

Os percalços destes clubes são os mesmos de todo o futebol brasileiro, o que pode significar uma futura rotatividade de forças, até pelo esgotamento da forma de que são geridos. O modelo não é sustentável. Enquanto os grandes podem ruir financeiramente se não fizerem grandes vendas para derrubar o déficit e não mantiverem a arrecadação em alta. O Tombense é refém de um mecenas, que ajuda o clube, mas, por mais que tenha parceria duradoura (15 anos), pode um dia acabar.

E a sanha por arrecadação provocou um momento triste na decisão da Copa do Brasil: nenhum dos dois jogos teve estádio tomado. Tudo fruto da falta de entendimento e da ganância das diretorias. Olhe a foto ali em cima. Viu o espaço vazio na reta do estádio? Com ingressos na casa das centenas de reais, não é qualquer um que paga, o que resultou em 39.786, bem menos que os 60 mil esperados. Os clubes arrebentaram a corda entre o preço que podem cobrar e o quanto o torcedor quer ou pode pagar, mas isto é algo para um próximo texto, pois vai render muito.

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