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Campeão-relâmpago pelo Andraus, Paulo Miranda não definiu destino para 2015

Paulo Miranda, ex-jogador de clubes como Atlético, Coritiba, Paraná e Vasco, conquistou o primeiro título de treinador pelo Andraus

Paulo Miranda, ex-jogador de clubes como Atlético, Coritiba, Paraná e Vasco, conquistou o primeiro título como treinador pelo Andraus

 

O domingo (30) foi especial para o ex-meia Paulo Miranda. Aos 40 anos, o agora treinador, conquistou sua primeira taça na nova função pelo Andraus, que venceu nos pênaltis o Pato Branco por 4 a 2 após triunfo no tempo normal por 3 a 1. A vitória não garantiu o futuro do jovem comandante na equipe de Campo Largo em 2015.

“Não há nada definido. Estou conversando. Inicialmente o acerto foi para estes dois jogos. Tenho proposta de um time da Série A3 de SP e também de um time do Paraná. É ter confiança e ter tranquilidade, pois o mais importante é ter um time para trabalhar”, afirmou Paulo Miranda.

A chegada do treinador, que como jogador foi revelado pelo Paraná e atuou por times do porte de Atlético, Coritiba, Cruzeiro, Flamengo e Vasco, ao Andraus foi inusitada. O Gigante da Pedreira foi comandado nas rodadas decisivas por um técnico interino, Duílio Morais, que deixou a equipe logo depois de conseguir a classificação ao aceitar o cargo de preparador físico em uma equipe da A2 Paulista. Miranda chegou na quinta-feira anterior ao primeiro duelo da decisão contra o Pato Branco.

“Quando cheguei, disse que não seria fácil, com dois dias para preparar time, mas os meninos assimilaram bem rápido, são sensacionais. Perdemos o primeiro jogo, num jogo difícil, com eles com muita mais vontade, mas nesta semana deu para montar o time direitinho e fiz até algumas mudanças”, explicou.

Com vários títulos como jogador, o primeiro como treinador teve um sabor especial para o ex-jogador, que calçando chuteiras levantou uma Mercosul e a João Havelange pelo Vasco, entre outros. “Primeiro título a gente nunca esquece. Juro para você que, mesmo vários títulos como atleta, este é o melhor título da minha vida e que seja o primeiro de muitos. Estou começando carreira. São apenas oito meses fazendo cursos dentro e fora do país, estudando muito e agora estou aqui realizando meu sonho do primeiro título como treinador”, comemorou. Paulo Miranda já havia treinado Oeste-SC, Gênus-RO e o Francisco Beltrão, justamente o arquirrival do Pato Branco, adversário da decisão.

Comemoração teve um susto fora de campo

Goleiro Jackson sobe no alambrado do Ecoestádio

Goleiro Jackson sobe no alambrado do Ecoestádio

Logo após o fim da decisão por pênaltis, os jogadores do Andraus, especialmente o goleiro Jackson, levaram um susto. A mãe do camisa 1, herói ao defender um pênalti, passou mal nas arquibancadas do Ecoestádio e desmaiou de emoção. O arqueiro de 23 anos pulou o alambrado para ajudar a mãe, que atendida pelos paramédicos, voltou à normalidade e pôde participar dos festejos.

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Arquivado em Futebol Alternativo, Metrópole adentro

Direto do baú: A concentração é desnecessária

Atlético-MG venceu a Copa do Brasil. Time deixou de concentrar antes de jogos em Belo Horizonte e colheu ótimos resultados (Bruno Cantini / Clube Atlético Mineiro)

Atlético-MG venceu a Copa do Brasil. Time deixou de concentrar antes de jogos em Belo Horizonte e colheu ótimos resultados (Bruno Cantini / Clube Atlético Mineiro)

 

Campeão da Copa do Brasil de 2014, o Atlético-MG apresentou o que é uma inovação para os padrões do futebol em casa. Após a chegada do técnico Levir Culpi, o time deixou de concentrar em partidas realizadas em Belo Horizonte. O efeito disso é que não perdeu mais em casa. A última derrota do Galo como mandante foi no dia 4 de maio para o Goiás, por 1 a 0, quando Levir tinha acabado de fechar.

Esta situação permite me resgatar um texto escrito na coluna rotativa de terça-feira na Gazeta do Povo que, em outro contexto (a situação financeira do Paraná Clube, que gerou cancelamento de concentrações como protestos de jogadores) defendo o mudanças no ultrapassado sistema de concentração do futebol brasileiro. A coluna saiu no dia 13 de novembro de 2012. E a versão original está aqui neste link. Leia e abstraia a situação para o contexto atual:

 

 A concentração é desnecessária

Publicado em 13/11/2012 – Leonardo Bonassoli

 

Está certo que foi um protesto dos jogadores pelos atrasos salariais, mas a vitória do Paraná, sem fazer concentração, sobre o Ipatinga por 2 a 0, no último sábado, pode servir para abrir uma interessante discussão no futebol brasileiro sobre o quão dispensável é o regime de concentração dos jogadores antes dos jogos em casa.

Em vários lugares do mundo ela não existe mais. Na Inglaterra, os jogadores fizeram um movimento e aboliram a concentração ainda nos anos 70. Na Alemanha e na França, é costume os jogadores se apresentarem no dia da partida quando se joga em casa. Real Madrid e Barcelona não concentram há alguns anos. Alguns atletas que voltaram a jogar no Brasil após atuar nestes locais, estranham a situação e demoram a se readaptar.

O que falta no futebol brasileiro é entender que o atleta profissional, como todo cidadão adulto, tem de assumir a responsabilidade pelos seus atos antes das partidas. Se por ventura aprontar, deve arcar com as consequências, que são entre ser cortado do time e perder espaço dentro do clube. Pode parecer autoajuda barata, mas a liberdade rima com a responsabilidade e ajudaria a termos jogadores mais cientes de como se alimentar e descansar.

Um dos argumentos usados a favor da concentração é o de se isolar o jogador do mundo externo e integrar a equipe. Em abril deste ano, em uma entrevista ao canal SporTV, o uruguaio Loco Abreu, atualmente no Figueirense, derrubou esta tese com a prática. “Hoje, para mim, a concentração é uma mentira. A tecnologia está dentro da concentração”. Na oportunidade, ele ressaltou que os jogadores conversam pouco sobre o time e sobre futebol, e ficam mais jogando videogame ou em seus laptops ou celulares acessando a internet. Logo, a principal desculpa dos defensores cai.

A questão de economia, diante disso, até fica ofuscada, mas não deve ser desmerecida. O Paraná, por exemplo, não tem hospedagem em seus centros de treinamento para a equipe principal. Com isso, incluindo hotel e alimentação, gasta em torno de R$ 5 mil a R$ 6 mil por partida. Multiplicando isso por 35, que é o número aproximado de jogos em casa da equipe no ano, a conta sobe para entre R$ 175 mil a R$ 210 mil por temporada, o que é uma verba considerável.

E como seria o modelo ideal? A concentração deveria ser para casos específicos. Os clubes deveriam ter uma estrutura para receber os atletas em tratamento que precisem de acompanhamento médico mais próximo para poder atuar. Se algum jogador achar que não tem estrutura para se cuidar em casa, por morar sozinho ou ter algum problema familiar que atrapalhe na programação, ele poderia optar por concentrar. Simples e mais racional.

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