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Direto do baú: A concentração é desnecessária

Atlético-MG venceu a Copa do Brasil. Time deixou de concentrar antes de jogos em Belo Horizonte e colheu ótimos resultados (Bruno Cantini / Clube Atlético Mineiro)

Atlético-MG venceu a Copa do Brasil. Time deixou de concentrar antes de jogos em Belo Horizonte e colheu ótimos resultados (Bruno Cantini / Clube Atlético Mineiro)

 

Campeão da Copa do Brasil de 2014, o Atlético-MG apresentou o que é uma inovação para os padrões do futebol em casa. Após a chegada do técnico Levir Culpi, o time deixou de concentrar em partidas realizadas em Belo Horizonte. O efeito disso é que não perdeu mais em casa. A última derrota do Galo como mandante foi no dia 4 de maio para o Goiás, por 1 a 0, quando Levir tinha acabado de fechar.

Esta situação permite me resgatar um texto escrito na coluna rotativa de terça-feira na Gazeta do Povo que, em outro contexto (a situação financeira do Paraná Clube, que gerou cancelamento de concentrações como protestos de jogadores) defendo o mudanças no ultrapassado sistema de concentração do futebol brasileiro. A coluna saiu no dia 13 de novembro de 2012. E a versão original está aqui neste link. Leia e abstraia a situação para o contexto atual:

 

 A concentração é desnecessária

Publicado em 13/11/2012 – Leonardo Bonassoli

 

Está certo que foi um protesto dos jogadores pelos atrasos salariais, mas a vitória do Paraná, sem fazer concentração, sobre o Ipatinga por 2 a 0, no último sábado, pode servir para abrir uma interessante discussão no futebol brasileiro sobre o quão dispensável é o regime de concentração dos jogadores antes dos jogos em casa.

Em vários lugares do mundo ela não existe mais. Na Inglaterra, os jogadores fizeram um movimento e aboliram a concentração ainda nos anos 70. Na Alemanha e na França, é costume os jogadores se apresentarem no dia da partida quando se joga em casa. Real Madrid e Barcelona não concentram há alguns anos. Alguns atletas que voltaram a jogar no Brasil após atuar nestes locais, estranham a situação e demoram a se readaptar.

O que falta no futebol brasileiro é entender que o atleta profissional, como todo cidadão adulto, tem de assumir a responsabilidade pelos seus atos antes das partidas. Se por ventura aprontar, deve arcar com as consequências, que são entre ser cortado do time e perder espaço dentro do clube. Pode parecer autoajuda barata, mas a liberdade rima com a responsabilidade e ajudaria a termos jogadores mais cientes de como se alimentar e descansar.

Um dos argumentos usados a favor da concentração é o de se isolar o jogador do mundo externo e integrar a equipe. Em abril deste ano, em uma entrevista ao canal SporTV, o uruguaio Loco Abreu, atualmente no Figueirense, derrubou esta tese com a prática. “Hoje, para mim, a concentração é uma mentira. A tecnologia está dentro da concentração”. Na oportunidade, ele ressaltou que os jogadores conversam pouco sobre o time e sobre futebol, e ficam mais jogando videogame ou em seus laptops ou celulares acessando a internet. Logo, a principal desculpa dos defensores cai.

A questão de economia, diante disso, até fica ofuscada, mas não deve ser desmerecida. O Paraná, por exemplo, não tem hospedagem em seus centros de treinamento para a equipe principal. Com isso, incluindo hotel e alimentação, gasta em torno de R$ 5 mil a R$ 6 mil por partida. Multiplicando isso por 35, que é o número aproximado de jogos em casa da equipe no ano, a conta sobe para entre R$ 175 mil a R$ 210 mil por temporada, o que é uma verba considerável.

E como seria o modelo ideal? A concentração deveria ser para casos específicos. Os clubes deveriam ter uma estrutura para receber os atletas em tratamento que precisem de acompanhamento médico mais próximo para poder atuar. Se algum jogador achar que não tem estrutura para se cuidar em casa, por morar sozinho ou ter algum problema familiar que atrapalhe na programação, ele poderia optar por concentrar. Simples e mais racional.

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