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Seleção em Curitiba virou lenda urbana

Arena da Baixada em Honduras x Equador pela Copa de 2014: estádio fica em Curitiba, cidade que não recebe a seleção desde 2003

Arena da Baixada em Honduras x Equador pela Copa de 2014: estádio fica em Curitiba, cidade que não recebe a seleção desde 2003

O mais recente escândalo da CBF, a revelação de um contrato que terceiriza a organização de amistosos, inclusive submetendo convocações ao crivos de patrocinadores, devia servir para uma reflexão do quanto a seleção brasileira está distante do país. A terceirização imposta por um contrato com uma empresa ligada a um grupo do Oriente Médio pode até não ser ilegal, mas é extremamente imoral e alija várias cidades de receber o time nacional em amistosos, jogando a agenda da equipe que representa o país a interesses comerciais que nem sempre coincidem com os objetivos técnicos.

Caso bem notório é o de Curitiba. A última das oito vezes que a capital paranaense, oitava maior cidade do país, com dois times na Série A, dois times que venceram o Brasileiro, dois que chegaram à decisão da Copa do Brasil, três que jogaram Libertadores nos últimos dez anos, viu a seleção jogando em seus domínios foi em 2003. De lá para cá, por exemplo, a seleção jogou doze amistosos em Londres, mais que a Cidade Sorriso em sua história. Enquanto isso só promessas. Se não houvesse o contrato, este jogo já teria acontecido algumas vezes? O mesmo vale para várias cidades que agora têm estádios de  bom nível, mesmo as fora da Copa, mas que ainda vislumbram a seleção “playing in foreign fields”, diriam os ingleses.

Desde os tempos de Ricardo Teixeira à frente da CBF há uma promessa de que a seleção jogue ao menos um jogo em Curitiba. A última passagem da equipe foi para treinamento antes da Copa de 2010, mas sem amistoso algum. O tal amistoso prometido várias vezes, ainda mais como maneira da CBF dar aval à Federação Paranaense, que havia passado por um longo e desastroso domínio de Onaireves Moura, foi sendo protelado seguidamente, até Teixeira pedir renúncia após envolvimento em denúncias de pagamento de propinas na Suíça dentro da Fifa. Depois, não se falou mais nisso e o tal amistoso, pois a seleção só fez jogos oficiais nas Copas América, das Confederações e do Mundo, virou uma lenda urbana do padrão do metrô de Curitiba e da conclusão da Linha Verde. Não será surpresa se ficar de fora de um dos nove jogos do país como mandante nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 que será disputada entre outubro de 2015 e outubro de 2017.

Algumas causas para isso, além da ingerência da empresa que a CBF terceirizou a seleção, estão na pouca força política do estado, se comparado a outros de mesmo peso esportivo e econômico. Isso fruto de um estado com cidades relativamente jovens no interior e com uma capital que olhava muito pouco para lá.

Estádio não é problema. Foram três estádios no Século XXI que receberam a seleção: Pinheirão, Couto Pereira e Arena da Baixada, sendo que apenas o primeiro não teria condições de receber futebol novamente. Os outros dois passaram por melhorias nestes 12 anos de ausência. Estrutura para treinamento não é problema também, pois os clubes locais têm instalações bem acima da média nacional, sem falar que a cidade abrigou a Espanha na Copa além de quatro partidas. Será que agora vai ou teremos um novo item, um jogo da seleção, na anedota curitibana de que o avesso escritor Dalton Trevisan irá dar uma entrevista coletiva na inauguração do metrô?

As oito vezes em Curitiba

21/06/1984 – Amistoso – Couto Pereira – Brasil 1 x 0 Uruguai – Gol: Arhurzinho (BRA).

07/05/1986 – Amistoso – Pinheirão – Brasil 1 x 1 Chile. Gols: Mariano Puyol (CHI), Casagrande (BRA)

27/06/1991 – Amistoso – Pinheirão – Brasil 1 x 1 Argentina. Gols: Claudio Caniggia (ARG), Neto (BRA)

13/11/1996 – Amistoso – Pinheirão – Brasil 2 x 0 Camarões: Gols: Giovanni (BRA), Djalminha (BRA)

26/06/1999 – Amistoso – Arena da Baixada – Brasil 3 x 0 Letônia. Gols: Alex (BRA), Roberto Carlos (BRA), Ronaldo (BRA)

09/08/2001 – Amistoso – Arena da Baixada – Brasil 5 x 0 Panamá. Gols: Edílson (BRA), Alex (BRA), Euller (BRA), Juninho Paulista (BRA), Roberto Carlos (BRA).

07/10/2001 – Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002 – Couto Pereira – Brasil 2 x 0 Chile. Gols: Rivaldo (BRA), Edílson (BRA).

19/11/2003 – Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006 – Pinheirão – Brasil 3 x 3 Uruguai. Gols: Kaká (BRA), Ronaldo (BRA), Diego Forlán (URU), Diego Forlán (URU), Gilberto Silva (contra pró-URU), Ronaldo (BRA).

Por onde andam os personagens da última vez?

Pinheirão (estádio) – Projeto megalômano da FPF que ajudou a causar a ruína financeira da entidade, foi fechado em 2007 por falta de condições de segurança, sendo lacrado pela Justiça. Devido às dívidas da FPF, foi leiloado em 2012 por R$ 57.2 milhões. O dono, João Destro, empresário atacadista, ainda não deu um destino ao local.

Horácio Elizondo (árbitro) – atingiu seu auge logo em 2006, apitando abertura e final da Copa. Mundial este marcado pela cabeçada de Zidane em Materazzi na decisão. Trabalha como comentarista de arbitragem na televisão argentina. Tem 51 anos.

Dida – Goleiro do Brasil defendia o Milan e foi titular da seleção em 2006. Depois da saída do time italiano, em 2010, ficou quase dois anos parado até assinar com a Portuguesa. Depois defendeu o Grêmio e atualmente é reserva do Internacional. Tem 41 anos e é também um dos líderes do Bom Senso FC.

Cafu – O capitão da seleção atuou até 2008 no Milan, encerrando a carreira. Tem 44 anos.

Lúcio – O zagueiro tem 37 anos e tenta encontrar um novo clube após rescindir em janeiro com o Palmeiras, onde teve passagem apagada.

Roque Júnior – O zagueiro se aposentou em 2010 no Ituano e tentou primeiro carreira como dirigente, primeiro do Primeira Camisa, time que fundou, depois do Ituano, sendo gerente de futebol do Paraná. Seu último trabalho foi como técnico do XV de Piracicaba, durando seis jogos no Paulistão 2015. Tem 38 anos.

Júnior – O lateral-esquerdo encerrou a carreira em 2010 no Goiás. Tem 41 anos.

Gilberto Silva – O volante ainda está na ativa, porém se recupera de grave lesão. Está no América-MG, clube que o revelou, e tem 38 anos.

Renato – O meio-campista é um dos veteranos do time do Santos, justamente o clube onde teve mais destaque no Brasil. Tem 36 anos.

Juninho Pernambucano – O meia se aposentou no começo de 2014 no Vasco, depois de lesões seguidas. Tem 40 anos e é comentarista esportivo de rádio e televisão.

Kaká – O meia de 33 anos está na ativa, inclusive fazendo parte da lista de espera da seleção na Copa América. Atua pelo Orlando City da MLS.

Alex – Após longa passagem pelo futebol turco, o meia paranaense jogou suas duas últimas temporadas como profissional no time de coração, o Coritiba, parando no fim de 2014. É um dos líderes do Bom Senso FC e aos 37 anos é comentarista de televisão.

Zé Roberto – O meia e lateral-esquerdo tem 40 anos e ainda joga. Defende atualmente o Palmeiras.

Ronaldo – O Fenômeno encerrou a carreira em 2011 no Corinthians, com problemas para manter o peso e sucessivas lesões. Atualmente é dono do Fort Lauderdale Strikers, da NASL, e está inscrito para jogar pela equipe com o número 9. Tem 38 anos.

Rivaldo – O meia-atacante tem 43 anos e é presidente do Mogi-Mirim, clube em que fez suas últimas partidas como profissional em 2014.

Luís Fabiano – O centroavante de 34 anos defende o São Paulo, clube em que viveu os melhores momentos da carreira no Brasil.

Carlos Alberto Parreira – O técnico do Tetra em 1994 esteve como coordenador técnico da seleção na Copa de 2014 e ficou marcado nesta campanha pelas frases extremamente otimistas, até arrogantes, e pelo ridículo episódio da Carta da Dona Lúcia após a derrota de 7 a 1 para a Alemanha.

Gustavo Munúa – O goleiro uruguaio tem 37 anos e defende o Nacional de Montevidéu.

Adrián Romero – O defensor uruguaio tem também 37 anos e se aposentou no fim da última temporada jogando pelo Miramar Missiones.

Álvaro Recoba – El Chino, uma lenda do futebol uruguaio, tem 39 anos e vive seus últimos lances como jogador do Nacional. Para nesta  temporada.

Joe Bizera – O zagueiro de 35 anos defende atualmente o Peñarol.

Diego López – O defensor de 40 anos é hoje treinador.Foi demitido recentemente do Bologna, da Série B Italiana.

Alejandro Lago – O defensor de 35 anos atua pelo Cerro do Urtuguai.

Marcelo “Pato” Sosa – O meia de 36 anos encerrou carreira em 2013 no Danúbio.

Nelson Abeijón – O meia parou de jogar em 2008 pelo River Plate-URU. Tem 41 anos.

Richard Núñez – O ponteiro de 39 anos defende o Rampla Juniors.

Martín Ligüera – O meia de 34 anos veio morar em Curitiba anos depois. Jogou no Atlético Paranaense em 2012 e 2013 e depois foi um pouco mais a o sul defender o Joinville. Atualmente joga no Fénix.

Germán Hornos – O centroavante teve uma carreira complicada nos anos que seguiram, com acidente automobilístico no Natal de 2004 o deixando parado por um ano. Tem apenas 32 anos e sua última passagem como jogador foi em 2012 pelo Ñublense do Chile.

Ernesto Javier Chevantón – O atacante de 34 anos está sem clube após o rebaixamento do Liverpool no Campeonato Uruguaio. Cogita aposentadoria.

Marcelo Zalayeta – O atacante de 36 anos defende o Peñarol.

Diego Forlán – O atacante brilhou no Pinheirão e anos depois foi eleito o melhor jogador da Copa de 2010. Atualmente, aos 36 anos, defende o Cerezo Osaka do Japão.

Juan Ramón Carrasco – O técnico teve uma passagem pelo Atlético Paranaense em 2012, sendo marcado pelas improvisações pouco ortodoxas de jogadores e um estilo extremamente ofensivo, beirando às vezes o irresponsável. Está sem clube desde 2012, quando treinou o Danúbio.

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Prognósticos paranaenses para o Brasileirão

O Brasileirão terá suas duas principais divisões começando no próximo fim de semana. Nelas, são três representantes paranaenses. Em mais algumas semanas, é a Série C que tem sua partida e depois, só em julho, a Série D. É um total de seis equipes representadas. Vendo o desempenho das equipes estaduais na Copa do Brasil, o panorama não é muito animador: Londrina, Paraná e Atlético já estão fora. Coritiba está em desvantagem e o Maringá, que não joga competição nacional, se salvou de ser eliminado em casa na segunda fase, mas não deverá oferecer tanta resistência no jogo de volta. Aqui iremos analisar divisão por divisão as equipes paranaenses neste pré-Brasileiro, com alguns prognósticos e diagnósticos:

 

Série A

Atlético

A situação do Atlético merece atenção. O time teve de lutar contra o rebaixamento no Estadual, situação que foi construída tão logo o time principal entrou em campo. Na Copa do Brasil, penou para passar do Remo (Série D) e caiu no gol fora para o Tupi (Série C). Já está no terceiro técnico do ano. Até o momento, mostrou um time sem alma e com sérios problemas especialmente na meia-cancha. Precisa se reforçar e pensar primeiro em fazer 45 pontos para se livrar do rebaixamento.

O atacante Walter é o principal reforço e esperança de gol do Atlético no Brasileirão (Foto: Gustavo Oliveira / Site Oficial do CAP)

O atacante Walter é o principal reforço e esperança de gol do Atlético no Brasileirão (Foto: Gustavo Oliveira / Site Oficial do CAP)

 

Coritiba

O Coxa está com seus defeitos sendo escancarados pela perda do Paranaense e pela atuação desastrosa da ida da 2.ª Fase da Copa do Brasil. Há um homem gol no time: Rafhael Lucas, prata da casa, mas a equipe ainda é dependente dele. O problema é atrás, com a defesa sendo alvo fácil em bolas aéreas e com dificuldades para ter goleiro confiável. Outro problema é o meio pouco criativo, sendo que o candidato à solução é Ruy, prata da casa, mas que há anos longe, foi destaque do Operário e foi contratado. A exemplo do arquirrival, se não resolver estes problemas, é jogar o Brasileirão na base dos 45 pontos para depois ver o que fazer.

Coritiba precisa acertar sua defesa para pensar em algo além de lutar contra a degola. (Foto: Site Oficial do Coritiba)

Coritiba precisa acertar sua defesa e a armação para pensar em algo além de lutar contra a degola. (Foto: Site Oficial do Coritiba)

 

Série B

Paraná

O Paraná está desde 2008 na Série B. Já esteve perto de subir, como em 2013. Na última quarta-feira, o presidente Luiz Carlos Casagrande, o Casinha, disse que a equipe vai subir este ano com três rodadas de antecedência. Acho que é mais fanfarronice que outra coisa. Porém, se a equipe conseguir se reforçar sem ficar devendo salários, as coisas começam a se aclarar e aí pode-se pensar em algo diferente de se salvar da Série C com três rodadas de antecedência. Antes disso, nada animador ter caído na Copa do Brasil para o modesto Jacuipense. Um reforço pode render esperanças: Danilo Báia, campeão paranaense pelo Operário e eleito craque da competição por este blog.

Paraná contratou Danilo Báia, lateral do Operário, para a Série B (Foto: Site Oficial do Paraná Clube)

Paraná contratou Danilo Báia, lateral do Operário, para a Série B (Foto: Site Oficial do Paraná Clube)

Série C

Londrina

O Londrina terá de cumprir alguns jogos de portões fechados pelo arranca-rabo do jogo das semifinais da Série D no ano passado, o que torna um pouco mais desafiador este retorno à pirâmide nacional. O elenco passa por reformulação. Coisa de sair 12 jogadores e chegar cinco. Fim de um ciclo para o Tubarão, mesmo chegando mais um ano no pódio do Estadual Por isso, é de acreditar que a nova base, que quebra uma sequência de alguns anos, demore para encaixar. Quem continua é Claudio Tencati, o Ferguson Pé Vermelho, técnico há mais tempo num clube brasileiro. O importante é não passar susto na Série C e, se der, buscar classificação e depois o acesso.

Se tem Londrina, tem Claudio Tencati de técnico (Foto: Pedro A. Rampazzo / Site Oficial do Londrina)

Se tem Londrina, tem Claudio Tencati de técnico (Foto: Pedro A. Rampazzo / Site Oficial do Londrina)

 

Série D

Foz do Iguaçu

O Foz subiu no susto no Paranaense e mordeu uma vaga na Série D com um time bastante cascudo em jogos importantes. O problema do inesperado ter acontecido duas vezes é que o time já teve algumas baixas. Há de se admitir que o Foz é azarão e não se espera tanto dele na Série D. Só que o Foz sabe ser azarão e tirar vantagem disso em uma competição dificílima. O que complica a montagem do elenco é que a competição só começa em julho.

Edson Bastos, que é da cidade, é cotado para seguir no Foz para a Série D, mas nada está definido (Foto: Facebook do Foz)

Edson Bastos, que é da cidade, é cotado para seguir no Foz para a Série D, mas nada está definido (Foto: Facebook do Foz)

 

Operário

Campeão Paranaense, o Operário já sofre baixas importantíssimas, como Danilo Báia (foi para o Paraná), Ruy (foi para o Coritiba) e o goleiro Jhonatan (voltou ao clube de origem, o Joinville). Os titulares que restaram, o atacante Juba tem o contrato mais longo (dezembro). Nem o técnico Itamar Schülle é garantido (contrato acaba e é pretendido pelo Sampaio Corrêa). Se quiser pretender algo de nota também na Série D, repetindo os passos do Londrina, o Fantasma terá de minimizar essas perdas e repôr à altura quem saiu. Para complicar, serão dois longos meses sem jogos, o que dificulta a busca de reforços e manutenção dos atletas atuais. A Série D é dificílima com uma primeira fase regionalizada com adversários que geralmente se equivalem e um mata-mata nacional imprevisível. Vale lembrar que a equipe preferiu não disputar a Taça FPF Sub-23, que vale vaga na Série D de 2016 e que reduz as vagas de Série D do Paranaense de 2016 a apenas uma. Logo, é uma aposta alta e arriscada.

Operário já sofreu baixas para a Série D e poderá ter cara bem diferente no Nacional (Foto: Nicoly França / Assessoria de Imprensa do Operário)

Operário já sofreu baixas para a Série D e terá ter cara bem diferente no Nacional (Foto: Nicoly França / Assessoria de Imprensa do Operário)

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Seleção Futebol Metrópole do Paranaense 2015

pr2015

Com o Campeonato Paranaense encerrado, vários órgãos de imprensa montam suas seleções. Resolvemos não ser diferentes quanto a isso. Logo, segue a seleção que o blog achou de melhor neste Paranaense de 2015, que teve o Operário como o campeão inédito. Veja como ficou o time e opine ali nos comentários:

 

Goleiro – Jhonatan (Operário)

O goleiro do Fantasma fez até gol na competição, mas isso foi o de menos perto de como jogou especialmente na fase final da competição. Parecia aqueles goleiros argentinos clichê da Libertadores, fazendo defesas incríveis e catimbando como ninguém, afetando também o psicológico dos adversários. Na grande decisão, a defesa à queima-roupa num chute de Wallyson foi o suficiente para virar o placar psicológico da partida, num momento que o placar estava em 0 a 0 e um gol do Coritiba colocaria fogo na partida.

 

Lateral-direito – Danilo Báia (Operário)

O grande ponto de desequilíbrio do Operário foi seu lateral-direito, uma revelação tardia de 29 anos. Danilo Báia foi o grande assistente da equipe de Ponta Grossa. Tem potencial até, com a idade se aproximando, de encerrar a carreira como meia, tão grande é a qualidade no terço final de campo.

 

Zagueiro – Dirceu (Londrina)

O Londrina teve junto com o Foz a melhor defesa da competição. Parte disso se deve a mais um bom campeonato de seu capitão, o zagueiro Dirceu. Desta vez não veio o título do Campeonato, apenas o do Interior e também o 3.º lugar na classificação geral.

 

Zagueiro – Douglas Mendes (Operário)

O zagueiro engoliu os atacantes do Coritiba na decisão e mostrou ser um pedaço fundamental da sólida defesa do Fantasma, responsável por tomar apenas um gol nos seis jogos decisivos e, por tabela, garantir o título.

 

Lateral-esquerdo – Carlão (Foz do Iguaçu)

Mais que o Operário e principalmente pelas circunstâncias, o Foz foi a grande surpresa do Paranaense. A equipe foi a última a ser confirmada, após a desistência do Arapongas, e fez bonito, terminando em quarto lugar e com uma vaga na Série D. Num campeonato que os laterais-esquerdos não se destacaram tanto, o Carlão do Foz merece a lembrança.

 

Volante – Alan Santos (Coritiba)

Num esquema tático com bastante marcação e pouca criatividade, Alan Santos foi o responsável por dar estes lampejos ao time do Coritiba com boas chegadas ao ataque, especialmente no começo da competição.

 

Meia/Volante – Léo Maringá (Londrina)

O veterano meio-campista foi um dos destaques da equipe do Tubarão. O veterano de 36 anos ainda segue desfilando seu futebol voluntarioso, bom nas bolas paradas e nos chutes de longa distância.

 

Meia – Netinho (J. Malucelli)

O Jotinha caiu nas quartas de final frente ao Foz, mas na primeira fase empreendeu uma briga ponto a ponto contra o Coritiba pela ponta da tabela. Muito disso graças ao experiente meia Netinho, forte nas bolas paradas e tiros de longe. O Paranaense serviu para o recolocar na órbita de equipes maiores.

 

Meia – Ruy (Operário)

Ruy havia sido contratado no fim do ano passado para jogar mais um Paranaense pelo Arapongas. Porém, o time fechou. Melhor para o Operário, que o contratou, encontrando seu armador do título. Ruy, que curiosamente foi dispensado do Coritiba após fazer a base na equipe, mostrou que tinha sim condições de brilhar no Alto da Glória, e assim o fez, mas pelo Fantasma. Foi o grande jogador da equipe nos jogos decisivos, junto com Danilo Báia.

 

Atacante – Juba  (Operário)

Curiosamente, brigava pela posição no time com o seu colega Douglas, que perdeu a posição por causa de uma suspensão na ida e por problemas físicos na hora da decisão. Geralmente centroavante no Novo Hamburgo, Juba mostrou ter se reinventado, chegando a marcar ponta-esquerda adversário no campo de defesa e, nos minutos seguintes, aparecer livre para marcar.

 

Atacante – Rafhael Lucas (Coritiba)

Rafhael Lucas foi o grande artilheiro do Campeonato Paranaense, com 12 gols. Porém, o corpo cobrou a conta da sequência de jogos, com lesões em partidas decisivas. O atacante foi tão fundamental para o Coritiba que a equipe venceu apenas uma partida na competição sem gol do camisa 99: o 3 a 0 sobre o Londrina na volta da semi-final.

 

Técnico – Itamar Schülle (Operário)

Levar ao título um time que nunca foi campeão e que, depois de um jejum de finais que vinha antes de nascer, ainda convivia com o peso de 14 vice-campeonatos estaduais não é para qualquer um. O catarinense de 47 anos montou uma equipe sólida e que teve mentalidade vencedora na hora da decisão. Vale lembrar que a folha de pagamento do Fantasma é aproximadamente 25% da folha do vice-campeão Coritiba apenas.

 

Revelação – Rafhael Lucas (Coritiba)

Rafhael Lucas vai fazer 23 anos em novembro, mas merece o título de revelação. Artilheiro na base, teve uma grave lesão quando subia para o time principal, o que brecou sua evolução, justo em temporadas que o Coxa careceu de um centroavante confiável. Agora o Coritiba tem este centroavante confiável e feito em casa. Porém, a pressão sobre o camisa 99 tende a aumentar e é urgente que a equipe deixe de ser tão dependente dos gols dele, pois a marcação começará a ficar mais dura.

 

Craque – Danilo Báia (Operário)

Danilo Báia, 29 anos, foi a principal fonte de gols do Fantasma. Dos pés dele saíram os gols que deram a vantagem na ida da decisão. E, para quem só começou a prestar atenção no time do Operário perto da final: ele estava jogando perto deste nível desde o começo. Por isso, o craque do campeonato.

 

Danilo Báia deu assistência para você e outras 46 pessoas (Foto: Luciano Mendes / Divulgação)

Danilo Báia deu assistência para você e outras 46 pessoas (Foto: Luciano Mendes / Divulgação)

 

Veja mais:

As Numeralhas finais do Campeonato

Participação do Futebol Metrópole no Última Divisão falando do Operário

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Nova fórmula do Brasileirão contraria Estatuto do Torcedor

Isso mesmo, o novo regulamento do Brasileirão a partir de 2016, sem que se discuta inicialmente se é bom ou ruim, é ilegal. A medida, em estudos pelos clubes e pela CBF e que ganhou força após reunião entre clubes, a entidade e a televisão, viola o artigo 8.º da Lei Federal 10.671/03, o Estatuto do Torcedor, em seu segundo item:

Art. 8o As competições de atletas profissionais de que participem entidades integrantes da organização desportiva do País deverão ser promovidas de acordo com calendário anual de eventos oficiais que:

II – adote, em pelo menos uma competição de âmbito nacional, sistema de disputa em que as equipes participantes conheçam, previamente ao seu início, a quantidade de partidas que disputarão, bem como seus adversários.

Sendo adotada a fórmula que dá 38 jogos de fase de classificação e mais quatro datas (um mês) aos quatro classificados, o certame cairá na ilegalidade e poderá ser questionado, interrompido e virar uma batalha legal, coisa que já aconteceu em outros casos relacionados a ações na Justiça Comum nas Séries C e D.

Mas é bom ou é ruim?

Após este pequeno introdutório jurídico, afirmo que esta mudança é ruim. Além de fazer clubes não classificados terem um mês a menos de atividade tendo de arcar com salários de jogadores e funcionários, é apenas um remendo. É parte da tradição brasileira de tentar inventar fórmulas mágicas para resolver problemas que não têm correlação com tal solução milagrosa.

O Campeonato Brasileiro tem alguns problemas como produto. Alguém conhece a logo oficial da competição? Não existe. E um site oficial próprio dele? Também não existe, estando aninhado dentro da CBF. É um campeonato que não sabe se vender para se viabilizar financeiramente. Outros problemas alegados pelos clubes ou não existem de verdade ou estão sendo atacados do jeito errado com a fórmula mágica que um dirigente teve a desfaçatez de chamar de fórmula mista e que prefiro de chamar de corrimento (pontos corridos iguais ao atual com um cruzamento de quatro times no final).

O problema de audiência na tevê é geral de tudo quanto programa. A última década e meia experimentou a massificação da internet e da televisão por assinatura. As pessoas têm mais alternativas de lazer e isso pode ser percebido até nas audiências das novelas e programas de auditório dominicais. Fora isso, há um equívoco na programação da emissora transmite as competições, com horários ruins e a política de distribuição dos jogos na televisão aberta. Em vários casos foram deixados de lado jogos importantíssimos em detrimento de passar paulista ou carioca fora de casa. Há ainda um terceiro jogo da rede, dividido entre as outras praças, mas algo ínfimo.

Outro problema alegado por clubes, CBF e televisão é o de público menor nos estádios e ele não existe. A diferença de médias com e sem mata-mata é marginal. Entre 1971 e 2002, a média de público do Brasileirão foi de 14.554 torcedores por partida, enquanto que entre 2003 e 2014, anos que tivemos pontos corridos, foi de 14.304. Com os detalhes que, no segundo período. deixamos de ter estádios para mais de 100 mil pessoas, o que poderia influenciar média em algumas partidas, e de que entre 2010 e 2014 tivemos times sem seus estádios por causa das obras da Copa, entre eles equipes com públicos expressivos em suas casas usuais como Flamengo, Internacional e o Atlético Paranaense. Sem contar que 2003 coincide com o começo da escalada absurda dos preços dos ingressos que, mesmo com crescimento médio da renda da população, afugentou muita gente dos estádios.

Os problemas reais do futebol brasileiro são basicamente más administrações dos clubes, que, em estado falimentar em sua maioria, ficam dependentes da televisão e da CBF, algo agravado pela divisão bizarra de cotas de televisão, em que temos clubes que recebem 120 milhões anuais competindo no mesmo campeonato com times que recebem 25 milhões ou menos. Vai ter competitividade assim? O ideal, neste caso, seria regulamentar uma divisão mais justa e que permita o campeonato melhorar. Minha sugestão é divisão de 50% de forma igualitária, 25% por audiência/torcida/mercado e 25% por desempenho na temporada anterior levando em conta pontos conquistados, o que também serve para transformar aquele time que pode estar desinteressado nas últimas rodadas (e que estaria do mesmo jeito no mata-mata sem chances de classificação) interessado em vencer partidas.

Além disso, para completar, nossas equipes pararam no tempo no ponto de vista físico, técnico e tático, em parte também pelo calendário apinhado de partidas, algo que o Bom Senso FC entendeu e apresentou sugestões e até nós demos também nosso palpite e incluímos também o calendário continental. E isso de termos calendários com Estaduais gigantescos é culpa também das relações de poder entre a confederação e as federações estaduais, estas também vanguardas do atraso. E não adianta criar formulismos para tentar dar uma “emoção” para poucos clubes se não se toca nos problemas de verdade. Gol da Alemanha.

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O quanto valem os testes de pré-temporada

Felipe Nasr pilotando a nova Sauber (foto: Site Oficial da Sauber F1)

Felipe Nasr pilotando a nova Sauber na última terça-feira (foto: Site Oficial da Sauber F1)

Terminaram nesta quarta-feira (4) a semana de testes coletivos da Fórmula 1 em Jerez de La Frontera, Espanha. A impressão dos carros na pista é de que a Ferrari evoluiu tanto como carro como fornecedor de motor, pois a Sauber, equipada pelos propulsores italianos, também andou na frente. Mas será que isto significa um tendência para a temporada?

Sim e não. O sim vem pelo regulamento ser o mesmo do último ano, sendo que o desenvolvimento dos motores não foi congelado. Com isso, nota-se que a Ferrari fez bem o serviço de resolver seus problemas. Do mesmo modo, a Sauber, que tem sérias restrições orçamentárias, foi para pista com carro que não é tão diferente do desenvolvimento do problemático do ano anterior, mas a experiência do que deu certo e do que não deu criou atalhos para a evolução.

Mas aí tem outro fator: não é incomum que equipes menores façam várias voltas com carro leve para mostrar desempenho e assim arranjar mais patrocínios. Pelo número de voltas de Felipe Nasr em um dos dias em que andou na frente ou próximo do líder, parece não ter sido. Por outro lado, por ter um orçamento menor que praticamente todas as equipes, a Sauber terá menos chances de evolução durante a temporada.

De outro lado, em uma das sessões, a Mercedes fez um número absurdo de voltas sem falha mecânica, sinal que tem confiabilidade, fator que decide corridas em uma categoria com provas que beiram as duas horas.

A resposta definitiva: resta saber o quanto vão evoluir. Ao passo que tem equipe que esmerilha nestes testes, mas estagna ou não funciona em condições de corrida, teve o caso da Brawn. No seu único ano de vida, com espólio da Honda, foi bem nos testes, mas era incógnita. Dominou o campeonato e entrou para a história. Aguardemos.

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Dois bons filhos em suas casas

Edson Bastos em sua apresentação ao Foz: experiente goleiro jogará pela primeira vez em clube de sua cidade natal (Foto: Foz do Iguaçu FC)

Édson Bastos em sua apresentação ao Foz: experiente goleiro jogará pela primeira vez em clube de sua cidade natal (Foto: Foz do Iguaçu FC)

Você gira o mundo por causa de sua profissão, fica famoso, conhece lugares, mas a saudade da terra bate e aí vem a volta à terra de onde saiu. Pelo menos dois veteranos terão a oportunidade de defender um time da cidade em que nasceram no Paranaense que começa no fim do mês. Pelo FC Cascavel, clube jovem, o zagueiro Cristiano Ávalos, de 37 anos recém-completados, que rodou por Paraná, Santos, São Caetano e vários outros times, seguirá defendendo a equipe após o acesso (chegou lá em 2014). Pelo Foz do Iguaçu, a novidade é o goleiro Édson Bastos, 35 anos, que ficou conhecido no Figueirense e no Coritiba e é o reforço de maior impacto da equipe, empatado com o dirigente Negreiros despendurando as chuteiras para ser o camisa 9.

Aí você pensa. É mais fácil jogar na sua cidade natal? Tem gente que pensa o contrário, o que é o caso do próprio Édson Bastos. Está certo que nem Foz e nem Cascavel são cidades pequenas. Foz tem mais de 250 mil habitantes e Cascavel passa dos 260 mil. São pólos regionais. Mas as pessoas se conhecem mesmo assim e conhecem as famílias, o que pode virar alvo dela, a indefectível corneta. “Sou um jogador campeão, independente do clube que defenda, sempre busco o meu melhor. Defendendo a equipe de minha cidade, junto a minha família, amigos, é claro que a pressão é maior, mas estamos preparados”, disse o goleiro durante sua apresentação em dezembro, após defender a Ponte Preta.

Por outro lado, pense se o time conquistar um objetivo, ainda mais com os filhos pródigos. A casa dos parentes virará local de peregrinação e, quem sabe, uma praça, uma rua ou uma escola tenha no futuro os nomes de Cristiano Ávalos ou de Édson Bastos, que venceram também pelos times das terras que os projetaram.

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Coisas simples (ou o fluxograma de contratações paranistas)

Luciano Gusso é o técnico que começa a temporada no Paraná Clube (Foto: Site oficial do Paraná)

Luciano Gusso é o técnico que começa a temporada no Paraná Clube (Foto: Site oficial do Paraná)

O Paraná Clube chegou a ameaçar uma engrenada no fim da temporada passada. A equipe era uma mescla de alguns jovens, com contratações que viraram apostas e jogadores que integram a equipe há algumas temporadas. Porém, das contratações da última temporada, um índice baixo teve o impacto necessário no time principal, diferente por exemplo da Série B de 2013 em que quase subiu e tinha reforços bem colocados no time. Claro que o acerto não é de 100%, mas é preferível cautela num clube sem tanto dinheiro e que luta para deixar de ser deficitário e passar a honrar todos os compromissos em dia. É um pouco óbvio, mas o Futebol Metrópole dá uma dica de fluxograma para contratações para que os responsáveis por montar a equipe não cometam os mesmos erros da temporada passada, ainda mais com um orçamento longe dos sonhos. Na real, o funcionamento é teoricamente simples, mas distante da baciada de atletas que vieram e foram embora durante 2014:

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Em tempo

O Paraná se reapresentou nesta segunda-feira (5) com elenco bastante reduzido. Total de 14 jogadores do elenco principal, mais cinco em transição para o elenco de cima. Dos 14, cinco são contratações. Lúcio Flávio negocia para ficar e ser o 20.º elemento. Sendo assim, caso não aproveite ninguém da Copinha, precisará de pelo menos mais umas cinco contratações. Segue pequena análise do perfil dos cinco jogadores que chegaram, a maioria claramente reposição de jogadores que saíram:

Marcos Paulo – Volante – Nascido em 1990 – Ex-Coritiba, perfil de substituto de Edson Sitta, que saiu do clube. Tende a dar certo e se firmar.

Paulo Henrique – Centroavante – Nascido em 1993 – Revelado pelo Atlético-MG, mas estava no Caxias – Pelo porte físico, é aposta para ocupar a função que era de Giancarlo e de Adaílton. É isso mesmo: aposta.

Bruninho – Lateral-esquerdo – Nascido em 1993 – Estava no Bragantino – Deve recompor numericamente a lateral-esquerda e disputar posição com o jovem Yan.

Adriano – Lateral-direito – Nascido em 1987 – Passagens por Atlético e Atlético-GO – Claramente contratado para repor a saída de Auremir, mas precisa mostrar mais do que mostrou no time da Baixada.

Rodrigo Tosi – Meia – Nascido em 1983 – Revelado pelo Jotinha nos tempos que era Malutrom, rodou por Suíça, Grécia, Irã e estava no DPMM de Brunei, que disputa a Liga de Cingapura – Se der certo, tem de se bater palmas para quem o encontrou, embora seja natural de Curitiba. A seu favor, foi eleito o melhor jogador da última liga pela revista Four-Four-Two. Pela posição e porte, foi contratado para dividir o protagonismo no meio de campo com Lúcio Flávio ou assumi-lo, caso o Tricolor não possa contar com seu ídolo.

 

 

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